Empresários e sindicalistas se reuniram Belo Horizonte para defender medidas em favor da indústria textil

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Empresários e sindicalistas se reuniram Belo Horizonte para defender medidas em favor da indústria textil

BELO HORIZONTE – Empresários e sindicalistas se reuniram na tarde desta quinta-feira em Belo Horizonte para defender medidas em favor da indústria. Entre os pontos de consenso estão a redução de juros, a desvalorização do real e mais investimentos em educação. E, embora elogiem medidas econômicas que vêm sendo tomadas pelo governo federal, os dois lados dizem que o país precisa de mudanças mais amplas para evitar o que consideram ser um processo de desindustrialização em curso. “No ano passado, só o setor de máquinas teve um déficit de R$ 18 bilhões. Neste, até fevereiro, já foi de mais de R$ 3 bilhões, 18% a mais do que o mesmo período do ano passado”, disse Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Segundo ele, o faturamento do segmento somente conseguiu crescer quase 6% porque muitos empresários estão importando e revendendo máquinas no Brasil. “Estamos virando comerciantes, representantes de máquinas importadas”, queixou-se. O uso da capacidade instalada nesse segmento caiu para 72% em fevereiro, o pior, segundo o empresário, desde 1990. A Abimaq foi quem idealizou o movimento “Grito de Alerta – Em defesa da produção e do emprego e contra a desindustrialização”, que conta com o apoio de entidades empresariais e centrais sindicais. No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, empresários e trabalhadores já foram para as ruas em atos e eventos conjuntos. Em Belo Horizonte, houve debate sobre a desindustrialização na Assembleia Legislativa. O pacote de R$ 60 bilhões de estímulo à economia, anunciado pelo governo na semana passada, e as medidas para desonerar a folha de pagamento de alguns setores, entre outras iniciativas, são passos positivos, que ajudam a indústria, segundo Aubert Neto, mas que estão longe de ser uma solução. “Enquanto não se mexer no câmbio, nos juros e nos tributos, estaremos dando um remédio antitérmico para quem está com uma doença grave.” O setor têxtil, fortemente afetado pela concorrência asiática, perdeu 10 mil empregos no ano passado, enquanto em 2010 haviam sido geradas 62 mil vagas, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e da Confecção, Aguinaldo Diniz Filho. “A indústria têxtil não pede proteção, pede condições igualitárias [para enfrentar os importados]”, diz ele. O câmbio de equilíbrio para a indústria seria entre R$ 2,15 e R$ 2,20; na visão da Abimaq, poderia chegar a R$ 2,40. Sindicalistas apoiam os pleitos do empresariado, mas mostram divergências quando o debate entra no pedido de reforma trabalhista. “A defesa por parte das empresas de uma reforma trabalhista passa por uma redução de direitos dos trabalhadores, como forma de reduzir o custo Brasil, e nisso não concordamos”, disse o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), que participou ao evento juntamente com os empresários. 
(Marcos de Moura e Souza | Valor) Fonte:http://www.valor.com.br/brasil/2614084/em-minas-empresarios-e-traba…

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